quinta-feira, 27 de maio de 2010

Tempo de transições

Encontramo-nos em uma época de transições constantes,de mudanças,onde valores da vida são questionados.E isso,se reflete incisivamenteno setor educacional, no nosso agir de professores(ou pelo menops de agentes educacionais em que nos encontramos,inclusive participando desse blog).A velocidade da comunicação, com sua sofisticada tecnologia(softwares e outras ferramentas)nos lança em um mundo estimulante e exigente.No entanto colegas, a escola e o professor(nas suas práticas)ficam restritos à currículos defasados e desvinculadosdessa "realidade imediata",do ciberespaço.
Como na concepção freiriana do fazer estético,da construção do conhecimento com o enriquecimento dos sujeitos que estão envolvidos no processo de interação;e na construção da aprendizagem e dos sujeitos que se reconhecem nesse potencial, para que haja a dialogicidade e a construção da aprendizagem na dinâmica social,cidadã.
Portanto, já começamos a transformar essa realidadeao discutirmos essa interação mediada pelo computador.
Iara Vigil Ferrão

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Explicação

Prezado professor, tutor e colegas peço desculpas por não estar participando da atividade como gostaria, mas estou em encerramento de trimestre na escola, onde sou unidocente 40 horas, além de estarmos com duas matérias em aberto com várias atividades para serem elaboradas e com prazos a serem obedecidos, então faço um pouco de cada para não ficar sem participar de nada.

terça-feira, 25 de maio de 2010

ELO (ENSINO DE LÍNGUAS ONLINE)

Olá pessoal!

Durante alguns anos, trabalhei em uma pesquisa sobre EAD e ajudei a desenvolver um programa de computador chamado ELO, gostaria que vocês conhecessem:

"ELO (Ensino de Línguas Online) é um sistema de autoria para a produção de objetos interativos de aprendizagem, voltados especialmente para o ensino de línguas.
Com o ELO é possivel criar diferentes tipos de atividades, incluindo:
Eclipse: Apresenta textos para o aluno reconstruir. Ideal para explorar formas padronizadas da língua como diálogos situados, provérbios, abstracts, etc.
Seqüência: Apresentado como um jogo didático. Ideal para explorar e ensinar a progressão do texto.
Cloze: Cria atividades com textos lacunados. A lacuna pode ser uma palavra, parte de uma palavra (sufixo, prefixo etc.), ou uma expressão com várias palavras. Ideal para para trabalhar com definições, questões gramaticais, descrição de personagens, diálogos e palavras-chave.
Memória: Cria arquivos para jogo da memória. Pode ser usado não só para o ensino do vocabulário, mas para relações (frasais, causa e conseqüência, verbo e objeto adequado, etc.)
Múltipla: Permite criar atividades de múltipla escolha, com feedback geral e específico para cada opção.
Dialógica: Cria arquivos com perguntas para o aluno responder. Permite simular a interação professor/aluno através de uma análise sofisticada da resposta livre do aluno.
É também possível criar homepages monolíngues e bilíngues (acopladas a um dicionário), inserindo figuras, sons e vídeos.
As atividades podem ser disponibilizadas em CDs, DVDs, na Internet ou em qualquer suporte eletrônico. Rodam diretamente do navegador."

A pesquisa pertence ao professor Vilson José Leffa e estou postando um link para que vocês possam compreender melhor esse trabalho:

http://www.leffa.pro.br/elo/index.html

Segue também este outro link que leva a uma atividade criada por mim, utilizando o ELO:

http://www.leffa.pro.br/elo/repositorio/portuguesa/intermediario/Luciana_Volpato/Arquivos/index.html


LUCIANA ARRIETA VOLPATO

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Para refletir um pouco

Colegas, recebi essa mensagem no meu e-mail há uns meses atrás, achei interessante colocar aqui no blog, para refletirmos um pouco sobre a educação atualmente.

Educassão"...por Profa Antonia Franco
É, minha gente, é daí pra pior...

SE A EDUCAÇÃO NÃO TIVER UMA MUDANÇA RADICAL...AS NOSSAS CRIANÇAS.... SEM COMENTÁRIOS!!!!!

A Evolução da Educação.Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação,datilografia...Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas,Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando aBandeira Nacional antes de iniciar as aulas..

Leiam relato de uma Professora de Matemática:

Semana passada comprei um produto que custou R$15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. Por que estou contando isso?

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo deprodução é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo deprodução é R$80,00. Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. E scolha a resposta certa, que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

5. Ensino de matemática em 2000:Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo deprodução é R$80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?( )SIM ( ) NÃO

6. Ensino de matemática em 2009:Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00.Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

E se um moleque resolve pichar a sala de aula e a professora faz com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos, pois a professora provocou traumas na criança.
Em 1969 os Pais do aluno perguntavam ao "aluno": "Que notas são estas...????
Em 2009 os Pais do aluno perguntam ao "professor": "Que notas sãoestas...????

Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

domingo, 23 de maio de 2010

Comunidades virtuais: construindo o conhecimento através da interação

Prezado leitores e colegas fiz um resumo sobre o artigo:

Comunidades virtuais: construindo o conhecimento através da interação

A partir do momento em que os sujeitos mantêm interações dialógicas através de comunidades virtuais é possibilitada a construção do conhecimento, sob o ponto de vista das perspectivas freireana e piagetiana, esta construção se realiza através da utilizando ferramentas específicas.

Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) propiciam uma interação dialógica com seus colegas ou com seus professores ou tutores onde há uma aquisição mútua de conhecimento, como o diálogo não é permuta ou simples troca, mas sim uma revelação dos interlocutores, o diálogo que ocorre entre os educadores e educandos e entre educandos permite uma maior geração de conhecimento.

As comunidades virtuais se constroem num espaço virtual de comunicação e informação denominado ciberespaço, um termo cunhado por Gibson, em seu livro Neuromancer, que o definia como sendo “um lugar onde se vai com a mente, catapultada pela tecnologia, enquanto o corpo fica para trás”. O ciberespaço é um lugar onde os signos são adquiridos, por intermédio do software, é um ambiente mediático e social de comunicação, pois permite formar redes de máquinas e pessoas que se comunicam, colaboram entre si, com autonomia, possibilita a ocorrência do diálogo levando a geração de conhecimento.

Para Paulo Freire, o diálogo é condição essencial para a formação da consciência crítica e é construído na relação "entre sujeitos mediatizados pelo mundo", não é uma mera ação verbalista, mas algo que gere conhecimento entre todos os envolvidos. Por ser um processo coletivo pode ocorrer na forma presencial, ou online, em comunidades virtuais, nestas usa uma linguagem específica através dos textos escritos, usufruindo dos recursos associados à internet — e-mail, chat, fórum, diário, entre outros, meios que permitem se comunicar num espaço de tempo mais curto, como este diálogo é desenvolvido através de textos escritos, é importante que seus construtores coloquem o máximo de sua intenção e afeto.

Conforme Piaget, a aprendizagem ocorre quando o sujeito interaje com o objeto e com os outros sujeitos de seu conhecimento, a partir da assimilação/acomodação/equilibração, para depois ocorrer um novo desequilíbrio, onde tudo se inicia novamente.

Essas concepções permitiram estabelecer categorias de forma a reconhecer a ocorrência de diálogo, nos ambientes virtuais. São elas:

* Cooperação – quando os envolvidos passam a se ajudar mutuamente, objetivando um fim comum, se ajudando e colaborando entre si, ajudando e colaborando com o grupo como um todo, isto é, para construir um conhecimento coletivo.

* Equidade na relação – são as interações que envolvem uma relação de respeito mútuo com deveres e obrigações de um lado e direitos, compensações e retribuição de outro, mantendo uma horizontalidade na relação.

* Geração de conhecimento – acontece sempre que, numa ordem temporal, um tema aparece de uma forma simples e depois passa a aparecer numa estruturação mais complexa, permitindo reconhecer que houve um conhecimento, devido à colaboração dos outros.

* Incentivo – ocorre sempre pelo ato de incentivar, onde os interlocutores (educandos e educadores) incentivam a participar do curso, interagindo e realizando as tarefas solicitadas, indicando-lhes a importância da participação e continuidade dos mesmos para o sucesso de todo o processo, pode ser feito através de convites para participar dos grupos criados, para participarem mais ativamente dos fóruns com a intenção de tornar a discussão mais interessante, através de e-mails, diretamente a um educando, ou a um grupo deles, pode ser feito durante um chat.

* Participação contínua – é observada pelas participações efetuadas pelos alunos no transcorrer do curso, suas interações, de preferência em todas as ferramentas ofertadas, independente do tipo de interação que ocorra.

Geralmente os alunos que mantêm essas interações possibilitam um crescimento na sua aprendizagem, desta forma a função do professor/tutor é propiciar situações que permitam a interação entre ele e os educandos e entre os educandos, pois a interação social favorece a aprendizagem, permitindo que alunos e professores se modifiquem mutuamente, assimilando e sedimentando novos conhecimentos, a partir dos conhecimentos anteriormente estruturados e internalizados.

O professor/tutor deve estabelecer estratégias de interação, deve levar em conta qual o nível de conhecimento, ter sensibilidade, procurar conhecer melhor os seus alunos. Num AVA o líder deve ser o professor/tutor que deverá saber o momento para assumir um tipo ou outro de liderança; LÍDER que orienta e se preocupa para que o trabalho seja efetivado ou LÍDER que se preocupa com sentimentos e relacionamento dos membros do grupo; ele pode dividir a turma em grupos para que possa interagir com todos, pode promover a interação entre os alunos e entre os alunos e ele próprio. O fórum é uma ferramenta que permite que ocorra interação entre os participantes do ambiente virtual, porém deve ser gerenciado, existem algumas precauções que poderão ser tomadas, como: combinar quantas vezes por semana o professor/tutor irá acessar o fórum, como é uma ferramenta assíncrona as respostas não serão imediatas; colocar para os alunos como eles deverão se portar no ambiente e nas discussões, que o aluno não deve ultrapassar certos limites da etiqueta, disponibilizar um manual falando sobre a netiqueta, dando dicas de comportamento on-line; arquivar o fórum se este ficar muito longo para facilitar a leitura das discussões; lembrar que discussões moderadas e bem desenvolvidas poderão ser muito mais proveitosas do que apenas um conteúdo estático; estabelecer tempo para que os alunos possam refletir sobre as questões antes de fazer novas postagens; observar os critérios de avaliação, onde estejam bem claros os objetivos das discussões. O professor/tutor deve se fazer perceber nas discussões e fazer com que o aluno se sinta valorizado. Feedbacks são ótimos aliados nesse processo; buscar especialistas em um determinado assunto, criar um fórum somente para as questões que lhes serão apresentadas; promover debates entre os alunos com diferentes pontos de vista para fomentar as discussões; dividir em grupos; pedir aos alunos que leiam a discussão de determinados grupos e elaborem questões para que seus integrantes respondam.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Internet na Educação

Muito interessante essa entrevista com José Manuel Moran Doutor em Comunicação pela USP Diretor Acadêmico da Faculdade Sumaré-SP e especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância:

"A Internet nos ajuda, mas ela sozinha não dá conta da complexidade do aprender" A afirmação é do professor José Manuel Moran. Ele fala sobre o uso da Internet na educação, fundamentado seu pensamento na "interação humana", de forma colaborativa, entre alunos e professores.

José Manuel Moran é um dos maiores especialistas brasileiros no uso da Internet em sala de aula. Por isso, não se espere dele o deslumbramento do marinheiro de primeira viagem. Timoneiro experiente, ele conduz o barco devagar. Para o educador que acessa a rede pela primeira vez, ele adverte que nem sempre a maré está para peixe. "A Internet nos ajuda, mas ela sozinha não dá conta da complexidade do aprender hoje, da troca, do estudo em grupo, da leitura, do estudo em campo com experiências reais". A tecnologia é tão-somente um "grande apoio", uma âncora, indispensável à embarcação, mas não é ela que a faz flutuar ou evita o naufrágio. "A Internet traz saídas e levanta problemas, como por exemplo, saber de que maneira gerenciar essa grande quantidade de informação com qualidade", insiste.



A questão fundamental prevalece sendo "interação humana", de forma colaborativa, entre alunos e professores. Continua a caber ao professor dois papéis: "ajudar na aprendizagem de conteúdos e ser um elo para uma compreensão maior da vida". Se o horizonte é o mesmo, os ventos mudaram de direção. É preciso ajustar as velas e olhar mais uma vez a bússola. E José Manuel Moran foi traçar rotas em mares nunca dantes navegados. A novidade é que "hoje temos a possibilidade de os alunos participarem de ambientes virtuais de aprendizagem". O grande desafio é "motivá-los a continuar aprendendo quando não estão em sala de aula".



Os educadores que não quiserem se lançar ao mar, muito apegados à terra firme, poderão ficar a ver navios. Mas não há mais porto seguro: o oceano de informações que a Internet disponibiliza aos alunos obrigará os professores a se atualizar constantemente e a se preparar para lidar com as múltiplas interpretações da realidade. Espanhol que atracou no Brasil, Moran abandonou por alguns momentos sua tripulação do curso de Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da USP e nos concedeu esta entrevista.



O senhor diz que não se deve esperar soluções mágicas da Internet. Que expectativas devemos ter das novas tecnologias na educação?



Prof. José Manuel Moran - Nós esperamos que a tecnologia — teoricamente mais participativa, por permitir a interação — faça as mudanças acontecerem automaticamente. Esse é um equívoco: ela pode ser apenas a extensão de um modelo tradicional. A tecnologia sozinha não garante a comunicação de duas vias, a participação real. O importante é mudar o modelo de educação porque aí, sim, as tecnologias podem servir-nos como apoio para um maior intercâmbio, trocas pessoais, em situações presenciais ou virtuais. Para mim, a tecnologia é um grande apoio de um projeto pedagógico que foca a aprendizagem ligada à vida.



Apesar de ser professor de novas tecnologias, o senhor acredita que, antes disso, há uma mudança mais urgente a ser feita no modelo de educação. Qual seria essa mudança?

Prof. José Manuel Moran - O que estamos vendo é que formas de educar com estrutura autoritária não resolvem as questões fundamentais. A questão não é tecnológica, mas comunicacional. A tecnologia entra como um apoio, mas o essencial é estabelecer relações de parceria na aprendizagem. Aprende-se muito mais em uma relação baseada na confiança, em que alunos e professores possam se expressar. Criar e gerenciar esse ambiente é muito mais importante que definir tecnologias. Embora eu trabalhe com elas, noto que o foco está na interação humana, presencial ou virtual. Preocupa-me muito a dificuldade que temos em estabelecer relações participativas, porque todos nós carregamos estruturas tremendamente autoritárias, sendo submissos ou dominadores, e reproduzimos isso na escola. A cultura da imposição, do controle, é talvez a barreira mais difícil de derrubar no processo pedagógico.





O senhor faz uma distinção entre ensino e educação, esta última sendo a integração do ensino com a vida. É evidente a maneira como as novas tecnologias podem contribuir para o ensino. Mas como elas podem contribuir para a educação?

Prof. José Manuel Moran - Quando falamos de ensino, focamos a aprendizagem de alguns conteúdos. A educação é um processo muito mais integral, que nos ocupa a vida toda, e não somente quando estamos na escola. E o professor tem esses dois papéis: ajudar na aprendizagem de conteúdos e ser um elo para uma compreensão maior da vida, de modo que encontremos formas de viver que nos realizem e desenvolvam nossas capacidades. Isso não depende da tecnologia, mas da atitude profunda do educador e do educando, de ambos quererem aprender. A tecnologia pode ser útil para integrar tudo que eu observo no mundo no dia-a-dia e para fazer disso objeto de reflexão. Ela me permite fazer essa ponte, trazer os conteúdos de forma mais ágil e devolvê-los de novo ao cotidiano, possibilitando a interação entre alunos, colegas e professores.





Uma de suas experiências mais bem-sucedidas consiste em partilhar os resultados das pesquisas escolares pela Internet. Que mudança isso provoca no rendimento dos alunos?



Prof. José Manuel Moran - É uma concepção do aprender de forma cooperativa e não competitiva. A aprendizagem estava muito voltada só para conseguir notas, ver quem chegava primeiro. Dentro dessa visão — que não se dá apenas com a tecnologia, mas também na sala de aula comum —, a proposta é colocar a interação na prática. Hoje temos a possibilidade de os alunos participarem de ambientes virtuais de aprendizagem, tanto de uma forma simples, publicando um trabalho em uma página, quanto criando debates, fóruns ou listas de discussão por e-mail. Cada escola e cada professor, dependendo do número de alunos que ele tenha ou da situação tecnológica em que se encontra, pode buscar soluções mais adequadas. O importante é o foco, que o aluno e o professor sejam estimulados a fazer parte de um espaço virtual de referência que disponibilize o que é feito em sala de aula. Eu creio que essa área de visibilidade liberta a sala de aula do espaço e do tempo físico. Porque depois, fora da aula, pode-se encontrar um pouco do que foi dito pelo professor, o que foi feito pelos alunos.





O senhor afirma que as novas tecnologias exigem muito esforço dos professores e, por outro lado, defende que "o aluno já está pronto para a Internet". Em que aspectos o aluno estaria em vantagem em relação ao professor?



Prof. José Manuel Moran - Ele é privilegiado na relação que tem com a tecnologia. Ele aprende rapidamente a navegar, sabe trabalhar em grupo e tem certa facilidade de produzir materiais audiovisuais. Por outro lado, o aluno tem dificuldade de mudar aquele papel passivo, de executor de tarefas, de devolvedor de informações. Na prática, acaba assumindo um papel bastante passivo em relação às suas reais potencialidades. O aluno tem capacidade de ir muito além, ele está pronto. Porém, a escola impõe modelos autoritários, voltando ao começo, quando o professor controlava e o aluno executava. E isso não o motiva. Por isso, a mudança mais séria deve vir mesmo dos professores. O novo professor dialoga e aprende com o aluno. Isso pressupõe uma certa humildade que nos custa como adultos a ter. Nós queremos ter a última palavra.



Novamente baseado em suas experiências em sala de aula, o senhor observa que muitas vezes a navegação é mais sedutora que o trabalho de interpretação e concentração que a pesquisa exige e o professor deve estar atento para evitar que os alunos sejam muito dispersos em suas pesquisas. Isso significa que o professor terá, diante da tecnologia, de reproduzir o modelo de controle a que o senhor se opõe?



Prof. José Manuel Moran - Essa é uma questão difícil de resolver na prática. Muitos alunos estão numa fase da vida ainda de deslumbramento, estão curiosos. Eles não têm organização e maturidade para se concentrar em um só tema durante uma hora. Então eles abrem mil páginas ao mesmo tempo, se deixam naturalmente seduzir por certos temas musicais ou eróticos, conforme a sua idade. Esse conjunto de questões dificulta o trabalho com um tema específico. Essa também não é uma questão meramente da tecnologia ou do professor, mas da dificuldade de concentração diante de tantos estímulos.

Há um paradoxo nessa questão. Há uma quantidade de informação quase inesgotável acessível pela Internet. Por outro lado, quando se é confrontado com esse volume de informação, há a tendência de dedicar menos tempo à análise pela compulsão de navegar e descobrir novas páginas. Como se pode contornar isso?

Prof. José Manuel Moran - Em primeiro lugar, reconhecendo que há uma grande dificuldade. A Internet traz saídas e levanta problemas, como, por exemplo, saber de que maneira gerenciar essa grande quantidade de informação com qualidade e como encontrar no pouco tempo que temos em sala de aula, ou na interação via Internet, algo que seja significativo, que não seja somente lúdico. Porque o que interessa é se essa navegação me leva a uma compreensão maior da realidade. Do ponto de vista metodológico, procuro um equilíbrio: nem impor demais o processo, que amarra o aluno, nem deixar que as coisas aconteçam a seu bel-prazer. Eu trabalho com dois momentos. No primeiro, mais aberto, eu coloco um tema em discussão e o aluno procura a informação por si. Depois de um certo tempo, passamos a partilhar o resultado das pesquisas, focamos um determinado artigo ou outro material, para que não fique muito disperso. Mas é importante que os alunos não atendam somente a uma determinação prévia do professor. Creio que esse pode ser um caminho para minimizar a clara tentação de dispersão na pesquisa via Internet. A Internet reforça a tendência dispersiva que os alunos têm no cotidiano, quando eles ficam estudando e ouvindo música, tudo ao mesmo tempo.



Outro equilíbrio que o senhor considera difícil de alcançar é entre o deslumbramento dos alunos pelas novas tecnologias e a resistência de alguns dos professores a esses novos métodos de acesso à informação.

Prof. José Manuel Moran - Eu percebo que as atitudes vão mudando aos poucos, que já houve resistência maior. Mas há professores que inconscientemente fazem o mínimo possível para utilizar a tecnologia, no máximo usam o Word. Eles não usam técnicas de pesquisa ou de apresentação mais avançadas em sala de aula, nem trabalham com criação de páginas. Então há uma parte dos professores de escolas particulares que, mesmo tendo laboratórios e acesso à Internet, resistem a métodos que não sejam tradicionais. Por outro lado, há os que descobrem as novas mídias e esquecem uma série de formas que podem ser interessantes em sala de aula, preferindo sempre jogar os alunos no laboratório, como se fosse uma grande solução. A Internet nos ajuda, mas ela sozinha não dá conta da complexidade do aprender hoje, da troca, do estudo em grupo, da leitura, do estudo em campo com experiências reais. Equilibrar o melhor do ensino presencial, o estarmos juntos, e o melhor do espaço virtual é básico. Mas ninguém teve experiência até agora com o equilíbrio desses ambientes. Antes aprendíamos juntos apenas em sala de aula, e o aluno tinha de se virar para fazer suas atividades quando não estava na escola. Hoje podemos aprender quando não estamos fisicamente juntos.



O senhor atribui essa resistência ao fato de as novas tecnologias colocarem em xeque a posição do professor como detentor do saber. O aluno pode facilmente pesquisar algum tema e ver que há interpretações divergentes e que aquilo que o professor fala pode não ser bem assim. O senhor sente esse receio nos professores com os quais convive?

Prof. José Manuel Moran - O professor, desde que surgiu o livro, sempre teve um pouco de receio de que o aluno aprendesse outras versões além da dele. Só que hoje você tem muitas outras formas de informações em qualquer mídia, e a Internet agrava ainda mais a sensação de que o aluno pode encontrar informações que o professor não tem. Para o professor inseguro, é uma espécie de desafio encontrar uma prática que não seja a do controle. A tentação desse tipo de professor é fechar em cima de uma única versão. O professor mais maduro trabalha com múltiplas visões, tentando relativizar nosso conhecimento, mostrando que estamos construindo algo que é provisório. A nossa visão agora é esta: eu aprendo com o que o outro me traz. Essa visão é muito mais tranqüila. É a aceitação de que eu não sou onipotente, que não tenho respostas para tudo, não sou enciclopédia. Eu aprendo melhor reconhecendo a minha ignorância.



O senhor insiste em seus textos na importância da maturidade do professor ao lidar com a tecnologia. Quais são as experiências mais maduras que conhece de uso da Internet em sala de aula?

Prof. José Manuel Moran - Hoje há muitas escolas que estão tentando encontrar saídas. O que a maior parte delas faz é colocar os alunos em contato com a Internet em laboratórios e depois buscar atividades principalmente entre grupos que não estão fisicamente juntos. No mundo inteiro se trabalha com esse tipo de projeto. A etapa mais avançada, que começa agora na minha opinião, é desenvolver o conceito de gerenciamento de aula, integrando o que é feito pelos alunos quando estão juntos e fazendo com que o processo de aprendizagem continue quando eles não estão mais juntos. Hoje há uma série de programas de gerenciamento de ambientes virtuais que ajudam a trazer temas para a sala de aula. No fundo, é uma página incrementada com ferramentas de chat e de fórum em que os alunos vão colocar seus textos. Há uma série de softwares como o Eureka, o First Class, o Web Ct e o Blackboard.



De que forma o senhor utiliza esses ambientes virtuais mais integrados em seu processo pedagógico?

Prof. José Manuel Moran - Coordeno um curso de pós-graduação semipresencial em que, em alguns momentos, nós nos encontramos e, em outros, interagimos somente através da rede: apresentamos textos, discutimos questões. Temos a relação de uma aula presencial para duas virtuais. É o desafio que vamos enfrentar pelo menos no nível superior, fase em que os alunos não precisam ir todos os dias à aula. O desafio é motivá-los a continuar aprendendo quando não estão em sala de aula. Também estou coordenando programas de educação a distância em São Paulo. Educar a distância, mas de uma forma em que haja troca e não somente repasse de informação, que não seja somente colocar conteúdo em uma página e depois cobrar uma atividade. Estimular o aluno a aprender em ambientes virtuais é outro grande desafio pedagógico que temos hoje. Haverá muita "picaretagem" de instituições que pensam que educação a distância é uma forma de ganhar dinheiro.



O que o senhor teria a dizer a um diretor de escola pública, carente de recursos e com professores que nem sempre são os mais bem qualificados? Nessas circunstâncias é mais indicado investir em tecnologia ou centrar-se na capacitação de professores?

Prof. José Manuel Moran - Eu acho que não podemos mais ficar apenas nos lamuriando da falta de condições. É verdade que um diretor de escola não pode fazer nada sozinho. Isso exige vontade e investimentos públicos nos três níveis. Estou coordenando uma equipe que desenvolve um programa de educação a distância na rede pública estadual de São Paulo para capacitar professores, supervisores de ensino e pessoas que trabalham em Oficinas Pedagógicas (OTP). São profissionais que estão mais em contato com novas tecnologias. Na verdade estamos fazendo a capacitação em serviços a distância, juntando a Secretaria de Educação e a Universidade de São Paulo, através de uma fundação chamada Vanzolini, com o apoio do governo federal, do ProInfo.

Disponível em http://www.eca.usp.br/prof/moran/entrev.htm

terça-feira, 18 de maio de 2010

Nosso plug é aqui!

Pessoal,
Onde estão os blogueiros desse grupo?
Queremos a visita e a participação de todos em todos os Blogs tecendo uma grande rede de comunicação, articulando idéias e produzindo juntos conhecimento.
Boas vindas a todos a essa belíssima tecnologia.
Abraços,
Tutor Marcelo

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Paulo Freire






Nos textos estudados nota-se que sempre existe alguma citação sobre Paulo Freire, encontrei este vídeo sobre seus estudos mas infelizmente não consegui fazer o download, então resolvi postar o site.

BLOG

Prezados colegas deixo aqui registrado um site do MEC sobre BLOG.

sábado, 1 de maio de 2010

Boas Vindas....

Olá pessoal, sejam bem-vindos ao blog da disciplina Interação Mediada por Computador.

Esperamos que a gama de informações disponibilizadas e discutidas ao longo destas tês semanas, neste blog, sejam significativas e possam ser transformadas em conhecimento. Desejamos um bom diálogo para todos!

Giliane e Tarcila